quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Capiulo II: Cabelos castanhos

Dormiu, sonhou e acordou com um belo café da manhã hospitalar levado pela enfermeira. Ele perguntou a ela, se sabia quem era a moça que o levou pra lá. Ela havia dito que não, pois quem sabe disso são as atendentes que mexem com os formulários.
Depois de uma semana internado, ele teve alta, mas antes de sair do hospital foi a bancada das atendentes perguntar o nome da moça que o levou. Só que ela pediu pra deixar confidencial sua identificação. Ele insistiu, mas a atendente não poderia, senão perderia seu emprego.
Ele saiu mais uma vez sem agradecer, e com apenas uma pista de quem era a moça, seus cabelos castanhos.
O que ele não sabia, é que ela estava bem mais próxima do que ele imaginava. Ela era a psicóloga que iria tratá-lo senão se recusasse.

Catherine Mórbis, 24 anos, psicóloga, bem empregada, muitos clientes que a adoram e que saem satisfeitos de seu consultório.
Aos 14 anos de idade, perdeu seus pais, em um acidente de transito, com motorista bêbado. Um dos enormes motivos dela odiar bebida alcoólica. Tinha uma irmã, o que a ajudou a não ficar tão sozinha, mesmo assim, depois que saíram do orfanato, as duas foram em direções diferentes, mesmo morando na mesma casa, nunca tiveram um carinho uma pela outra. Sempre brigavam pelo mesmo motivo, ela não fazia nada, enquanto Catherine fazia tudo. Uma carga que estava a deixando louca.
Com seus 22 anos,no meio do seu curso na faculdade, namorou um professor, ele era encantador, só que ela não confiava nele e muito menos na irmã, ela não o levava de jeito nenhum pra sua casa, pois sabia que sua irmã o tomaria, assim como os outros. Só que mesmo não levando ele em sua casa, sua irmã começou a trabalhar na lanchonete da faculdade como atendente. Um certo dia, Catherine havia ficado na faculdade até mais tarde fazendo trabalho, ouviu um barulho no fundo do corredor, na sala dos professores. Com um pouco de medo, pois pensou que havia um assaltante, foi devagar, ao flagrar sua irmã com seu namorado e professor que ela teria que enfrentar durante os próximos anos em seu curso.
No outro dia ela nem ao menos bom dia deu pra sua irmã, foi pra faculdade, nem olhou na cara do professor, ele foi tirar satisfações, violentamente. Ela pediu pra ele solta-lo, mas ele continuou. Com raiva disse tudo que havia visto na noite anterior, só que ele negou tudo.
Indignada e com nojo, ela deixou ele falando sozinho, e nunca mais havia pronunciado a palavra a ele durante todo seu curso. E sua irmã, deixou ela com a casa, e comprou uma pra si, num bairro distanciado. A partir do dia em que viu toda aquela atrocidade na sala dos professores, não conseguiu confiar mais em ninguém. Se sentia só, mas não queria arriscar conhecer ninguém.
Já com seu consultório e casa na cidade, e mais uma casa no campo pra descanso, ela estava bem, não deixava de ser gentil com as pessoas, mesmo passando por todo esse sofrimento da infância pra vida adulta.

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