terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Capítulo I: O motivo de tanta frieza.

Duas pessoas completamente diferentes. Destinos completamente fora de curso, e por problema de saúde foram unidos.

Ele com 30 anos, Pablo Salvatore, arquiteto bem sucedido, mas muito birrento. Não aceita que discordem dele, fica bravo por qualquer motivo, seus funcionários tem que agir como se não existissem. Um bom dia, um boa tarde não se ouve dele naquela empresa. O humor dele não existe pelo fato de ter perdido seus pais aos 10 anos, em um assalto num supermercado. Ele estava junto, mas a pedido dos pais ele se escondeu, era pequeno ainda e não tinha como se defender, viu seus pais morrendo na sua frente, ainda hoje ele tem pesadelos com isso. Depois de difícil temporada com os pais adotivos, que não eram nada hospitaleiros, saiu de casa. Aos seus 20 anos, enquanto fazia faculdade encontrou uma garota, da qual ele se apaixonou de verdade. Continuava meio frio com as pessoas que o cercavam, era um universitário de poucas palavras.
  A conheceu numa festa que ele foi apenas para vê-la, não tinha muito jeito com as mulheres, mas ela não o deixou escapar. Como ele era um cara bonitão, ela decidiu investir.
Começaram a namorar, fazia quase 2 meses que estavam juntos, ele estava completamente encantado, levava ela pra sair a lugares diferentes quase todo fim de semana, e se entregou completamente a ela. Só que numa noite de sábado, ele não quis sair com ela, decidiu ir a sua casa fazer-lhe uma surpresa. Mas a surpresa quem teve foi ele, sua namorada estava o traindo, com um dos professores da faculdade. Ali foi um choque ainda maior pro cara. O mundo dele caiu.
     Não sabia pra onde ir, ou com quem conversar, não havia ninguém em que ele confiava. Ele jogou tudo pro alto que se envolve por sentimentalismo, e resolveu encarar a vida sem isso.
Num bar, nessa mesma noite, enchendo a cara, o mais nerd de sua sala, o mais quieto e mais estudioso, estava nesse mesmo bar, só que com um pessoal também nerd. Ele não se agüentou, foi conversar com ele, Pablo não queria papo, mas o nerd insistiu, e ele acabou chorando suas mágoas. A partir daí ficaram amigos, tudo que um precisava do outro, estavam ali. Mas ainda assim Pablo continuava com uma pedra no lugar do coração, não havia mulher que ele deixava passar, mas também, não deixava entrar na sua mente. Virou um pegador, galanteador, mas grosso e insensível, brincava com todas.
Estava adquirindo um problema de saúde muito forte, por passar por tanto stress em seu escritório, pedidos de clientes incorretos, reclamações uma atrás da outra. Ele não estava mais conseguindo lidar com aquilo. Mas continuava a trabalhar. Assim ganhou uma doença causada por stress, o que lhe causava muita dor no peito. Tinha que ter um acompanhamento médico a cada duas semanas, pra saber como estava, mas se recusava a procurar um psicólogo, o que fazia parte de seu tratamento.
  Um certo dia andando na rua, a caminho de seu trabalho, recebeu um telefonema de seu amigo nerd (Stefanuto) , que era seu companheiro de trabalho, dizia: “Pablo, o manda chuva quer falar com você, diz que está muito insatisfeito com seu trabalho, anda recebendo muitas reclamações de clientes, dizendo que os desenhos estão ficando tremidos e estão chegando os pedidos trocados. Você corre perigo de ser despedido. Alô! Pablo? Você tá aí?”



Aquilo pra Pablo foi o fim, ele apesar de ter muito stress no trabalho, adorava o que fazia, era uma paixão desde pequenino, foi incentivado pelos pais. Seria muito difícil, conseguir outro emprego como esse.
   A dor no peito dessa vez foi muito forte, ele não conseguia andar direito, nem respirar direito, tudo estava ficando escuro, não enxergando mais nada ao seu redor, com muita tontura decorrente a dor no peito, caiu. O incrível, é que as pessoas continuaram andando, e ele precisava de ajuda, só que não conseguia falar. O telefone caiu, roubaram, mas não o ajudaram. Enfim, uma mulher o socorreu:
 “Por favor, alguém pode ajudar? Chama uma ambulância alguém. O cara precisa de ajuda.”
Ninguém se prontificou, indignada, ela mesmo pegou seu celular e ligou pra ambulância, estava muito preocupada com o homem, sem nem ao menos conhecê-lo.
Depois de uns 10 minutos a ambulância chegou. Começaram com toda aquela aparelhagem, e o colocaram no carro. O enfermeiro, perguntou a moça se ela não queria ir junto, pois não tinham sua identificação e precisariam de alguém pra preencher o formulário.
Ela foi, pensou que não poderia deixar o homem sozinho daquela maneira, tinha que ajudar pelo menos a encontrar a família... Que ele não tinha.
Durante o tempo no hospital ela preencheu a ficha. Com o nome e CPF. Perguntou se poderia vê-lo mais uma vez antes de ir embora e deixar tudo por conta do hospital.  Deram-lhe permissão.
    Entrou no quarto e olhou um tempo pra ele, se deu conta de quanto ele era lindo, pegou na mão dele e disse: “Não sei se irei te encontrar de novo, mas se encontrar, espero que não seja desse jeito, que você esteja bem, tchau.”
 Ele meio tonto, ouviu tudo que ela disse, só que não abria os olhos, sem força alguma. Bem de longe a viu sair, viu seus cabelos castanhos e bem de longe seus passos.

Um comentário:

  1. Muito bom.. Adorei mesmo, e pode ter certeza que serei uma das fiéis para acompanhar essa estória, parece ser muito boa...
    Parabéns!!!

    ResponderExcluir